BRASÍLIA IMPLODE: Investigações da Operação Compliance Zero apontam suposto canal privilegiado entre banqueiro e o governo federal. Conversas vazadas revelam plano de enviar materiais "pró-Lula" por meio de articuladores políticos.
A Polícia Federal (PF) trouxe à tona novos desdobramentos na Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades financeiras e administrativas no Banco Master.
Mensagens recentemente recuperadas no aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam uma suposta articulação de bastidores que visa aproximar a instituição financeira do Palácio do Planalto, utilizando figuras de peso da base governista como pontes de diálogo.
Entre os nomes citados nas conversas de WhatsApp obtidas pela investigação, destaca-se o do senador Jaques Wagner (PT, BA), atual líder do governo no Senado. De acordo com a interpretação da PF, o parlamentar baiano estaria sendo acionado ou mencionado como um "intermediário" estratégico para fazer com que recados e materiais de interesse do banco chegassem diretamente ao presidente Lula.
"Igual aos irmãos Batista"
Em um dos trechos mais emblemáticos dos diálogos obtidos pela PF, um interlocutor identificado como "Fernando Master" afirma categoricamente a Vorcaro que o banco goza de prestígio junto ao poder central:
"Única coisa que falaram que somos próximos do governo, igual irmãos batista sao. O que é verdade rsrs", escreveu o diretor.
A alusão aos irmãos Joesley e Wesley Batista, empresários conhecidos pelo histórico de estreito trânsito nos governos petistas, acendeu o alerta dos investigadores, sugerindo que o Banco Master buscava ou já possuía uma linha de influência similar junto à atual gestão federal.
Em resposta, a orientação compartilhada nas mensagens é explícita quanto ao uso de propaganda política ou conteúdos favoráveis para estreitar esses laços: "isso aí é mkt pra nos. manda pro Lula e pra base aliada". Logo em seguida, o interlocutor responde confirmando os canais que seriam utilizados: "vou mandar então pra tio guiga e Jaques".
Para a Polícia Federal, a troca de mensagens é um forte indício da existência de um canal privilegiado de comunicação entre empresários investigados e o núcleo duro do governo federal, gerando novos questionamentos éticos e políticos sobre a transparência nas relações republicanas.
O senador Jaques Wagner, por meio de sua assessoria, negou veementemente qualquer tipo de irregularidade ou envolvimento direto com as operações ou com Vorcaro. O líder governista pontuou que não participa das conversas de terceiros e que sua atuação política sempre foi pautada pelos canais institucionais.
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